O final de abril e o mês de maio passaram a correr. Mas nem por isso foram dias fáceis.

Vi-vos uma ou outra vez, pela manhã, quando passavam de carro com a vossa mãe, a caminho da escola.

São momentos tão fugazes, tão repentinos, que quase não há tempo para perceber nada. Mal consigo distinguir os vossos rostos, quanto mais trocar um olhar ou um sorriso. Mas o meu coração… esse fica a bater a mil, como se quisesse por breves segundos, recuperar todo o tempo que estamos sem nos ver.

Felizmente, houve também um daqueles pequenos momentos que, para mim, valem tanto.

Encontrei o Pedro, por acaso, quando fui almoçar ao restaurante do costume à sexta-feira…regressava a pé, com os colegas e professores, de uma visita à Ferreira de Castro.

Adoro aquela sua maneira envergonhada quando está junto dos colegas, sobretudo das meninas. Aquele sorriso tímido, meio escondido, como se quisesse demonstrar que já é crescido, mas ainda não soubesse muito bem como reagir.

E adoro, sobretudo, ouvir os outros meninos a gritar, alto e em bom som «Olha o pai do Pedro!!!»

Não imaginam o que essas palavras significam para mim.

Por momentos, tudo parece voltar ao lugar. Sou simplesmente o pai do Pedro. Como sempre fui. Como sempre serei.

Disse-me que estava bem e que tu também estavas!

Tinha umas guloseimas no carro e aproveitei para lhas dar. Pedi-lhe também que levasse um pequeno presente para ti, filha.

Era um porta-chaves do Dumbo que tinha comprado especialmente para ti.

Lembrei-me imediatamente de ti quando o vi. Sempre gostaste de trazer a mochila cheia de porta-chaves, e este achei-o particularmente bonito. Além disso, sei o quanto gostas do Dumbo, um dos teus personagens de animação preferidos.

São estas pequenas coisas que me fazem sentir próximo de vocês. Mesmo quando não estamos juntos, continuo a encontrar-vos nos lugares mais inesperados, nos objetos mais simples, nas coisas que vejo e que imediatamente me fazem pensar “Isto é a cara da minha filha!”

Espero que tenhas gostado.

Entretanto, soube também que estavas entre as nomeadas das Ferreirinhas para os prémios de mais simpática e de imagem feminina.

Confesso que fiquei muito feliz! Mandei-te mensagens…

Ainda não sei os resultados, mas espero que, com esse teu charme e essa tua maneira tão especial de ser, conquistes esses prémios.

E, mesmo que não os conquistes, para mim já ganhaste.

Não imaginas o orgulho que sinto quando alguém me fala de ti. Fico sempre com aquele sorriso de pai babado, que não consigo nem quero disfarçar.

E depois fico a pensar em tudo aquilo que gostaria de te dizer pessoalmente, em todas as conversas que gostava de ter contigo, em todas as mudanças tuas que gostaria de acompanhar mais de perto.

O tempo passa, meus amores. E vocês continuam a crescer.

Maio foi também o mês em que a vossa avó fez anos. 72 anos! Está uma jovem, a vossa avó!

Sei que este aniversário também não foi como ela gostaria. Por mais sorrisos que tenha recebido, sei que lhe faltaram os vossos abraços, os vossos beijinhos e aquela alegria que só os netos conseguem trazer.

Gostava tanto que o tempo fosse mais generoso connosco. Que pudéssemos aproveitar mais momentos juntos, criar mais memórias e devolver-lhe um pouco de toda a felicidade que ela sempre procurou dar-nos.

Porque, aos 72 anos, a vossa avó continua a ter muito amor para dar. E há abraços que ela merece receber enquanto ainda os pode sentir.

O tempo passa para todos, e há momentos em família que não devíamos deixar para amanhã.

Até ao próximo abraço, meus filhos.

Amo-vos muito. ❤️

Papis

21.05.2026