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Enquanto não vos abraço ❤️
O tempo passa, a vida continua, mas há abraços que nunca deixamos de esperar.
Se um dia aqui chegarem…
Aos meus filhos,
Não sei quando irão ler estas palavras. Não sei que idade terão, onde estarão ou que caminhos a vida vos terá levado a percorrer.
Talvez seja amanhã, talvez daqui a alguns anos. Talvez encontrem este espaço por acaso, ou talvez um dia sintam vontade de procurar respostas para perguntas que nunca chegaram a fazer.
Mas, se um dia aqui chegarem, quero que saibam por que razão criei este lugar, um lugar que é só meu, mas que também é vosso.
Há momentos na vida em que nos faltam as palavras. Outros em que temos tanto para dizer, mas não temos a quem o dizer. E há silêncios que se tornam demasiado grandes para caberem dentro de nós.
Foi num desses silêncios que nasceu este blogue.
Nasceu da saudade. Da ausência. Dos dias que passam sem vos ver, sem ouvir as vossas vozes, sem saber como correu o vosso dia, sem poder partilhar as pequenas coisas que, afinal, são as maiores da vida.
Nasceu dos abraços que ficaram por dar, das conversas que não tivemos, dos momentos que gostaria de ter vivido convosco e que o tempo, infelizmente, não nos devolverá.
Mas nasceu, acima de tudo, do amor.
Porque há uma coisa que quero que nunca esqueçam… não houve um único dia em que deixasse de ser vosso pai. Nem um único dia em que deixasse de vos amar.
A vida nem sempre acontece como imaginamos. Por vezes, coloca-nos perante situações que não escolhemos, que não compreendemos e que, por mais que tentemos, não conseguimos mudar.
E o tempo continua a passar.
Vocês crescem. Eu envelheço. E há momentos que se perdem para sempre.
Talvez seja essa uma das coisas que mais me custa, saber que a infância e a juventude não esperam por ninguém e que há pedaços das vossas vidas aos quais gostaria tanto de ter pertencido.
Mas não quero que este espaço seja apenas um lugar de tristeza.
Quero que seja um lugar de memórias, de histórias, de pensamentos, de esperança e, sobretudo, de amor.
Quero escrever-vos sobre aquilo que vivemos, sobre o que me fazem sentir, sobre as pequenas coisas que me fazem lembrar de vocês e sobre tudo aquilo que gostaria de vos dizer se vos tivesse aqui, à minha frente.
Não escrevo para vos pedir explicações, para vos fazer sentir culpados ou para vos colocar perante escolhas que nunca deveriam ser vossas.
Escrevo porque vos amo.
Porque tenho orgulho em ser vosso pai.
Porque, mesmo quando a distância nos separa, continuo a levar-vos comigo em tudo o que faço.
E porque acredito que um dia, quando a vida vos permitir olhar para trás, talvez estas palavras vos ajudem a compreender um pouco melhor aquilo que vivi e senti.
Não sei o que o futuro nos reserva.
Mas sei que, independentemente dos anos que passem, haverá sempre em mim um lugar que é só vosso.
E se um dia aqui chegarem, quero que encontrem estas palavras sem tristeza e sem obrigação. Que as leiam com a liberdade de quem sabe que é amado, sem condições.
Este blogue é a minha forma de continuar a falar convosco, quando não vos posso ter por perto.
É a minha maneira de guardar aquilo que o tempo não deve apagar.
E, enquanto a vida não me permitir voltar a abraçar-vos, continuarei a escrever.
Porque há abraços que fazem falta todos os dias.
E há amores que não precisam de presença para continuarem a existir.
Até ao dia em que vos volte a abraçar.
Com todo o amor do mundo, para a minha pena branca e para a minha pequena locomotiva.
Amo-vos muito. ❤️
Papis
30.01.2026